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BCE

Hoje, uma posta um pouco mais técnica.

De quem é a culpa disto? Como diz o Tyler Cowen, quando começamos a contar estórias, o nosso QI desce 10 pontos. A crise tem muitos pais e várias mães.

O Estado português tem muita culpa. Gastou sempre demais, desde há pelo menos uma década e chegou à crise obeso e fumador. O Banco Central Europeu tem muita culpa. Tem seguido uma política ultra-conservadora, de origem alemã, que atropelo a economia do Sul e nos partiu as pernas. Mas o doente fumador e obeso não pode afirmar que, se não fosse a perna partida, estava a correr maratonas. Basta voltar atrás, aos anos em que o BCE era mais expansivo, e a economia portuguesa não estava muito melhor.

Mas, saindo do discurso de a culpa é toda deste ou é toda daquele, podemos dizer que o BCE não ajuda.

Infelizmente, parece-me que se têm confundido a questãos das transferências da Alemanha para o Sul com a questão monetária. Os alemães estão contra transferências e as que têm existido tem sido feitas à sucapa (se os eleitores alemães soubessem quanto o Bundesbank tem emprestado aos PIGS). Fracamente, não é solução nenhuma estarmos aqui sentados a dizer os alemães é que deviam pagar tudo.

A questão monetária é diferente. São duas questões que se intersectam, a das transferências e a monetária, mas são duas questões separadas. Na Europa, ao centro, não há verdadeiro pensamento monetário excepto da parte da Alemanha (são contra). Como dizia esta semana o Matt Yglesias, nestas coisas, o centro europeu está localizado bem na direita do que é o partido Republicano americano (Axel Weber estaria em casa nos debates republicanos).

O BCE deveria ser muito mais expansionista. Se os bancos não estão a emprestar (em termos, técnicos a velocidade de circulação diminui), imprima-se mais dinheiro. Este é um banco central que subiu as taxas no Verão passado. Entretanto, desceu-as, mas francamente! Este é um banco central cujo orgulho é ter estado à direita do já ultra-conservador Bundesbank.

Como se confundem as duas questões, os influentes políticos alemães estarão contra esta ideia. Ademais, até agora, o BCE tem agido de forma a transferir recursos para os PIGS quando deveria ter uma política mais equilibrada. A solução é simples: Caro Dr. Mario Draghi, compre mais Bunds (títulos do tesouro alemão)! E títulos finlandeses e holandeses, e de todos os estados a quem não tem comprado muito.

O governos do Norte veriam reduzida a sua dívida, levando a algum aumento da inflação nesses estados. Isto seria, para os PIGS, semelhante a um desvalorizar da moeda e um reequilibrar mais harmonioso da situação.

Como dizia o Laffer: o trabalho de um economista é procurar almoços grátis e comê-los.

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