O Estado a Que Isto Chegou
Na série não percebo o optimismo do Vasco Pulido Valente:
Há vários tipos de Estado: há o estado social, há o estado mínimo, e há o estado a que isto chegou.
Estive fora cinco anos, voltei, e, estava à espera que já tivesse acontecido a revolução neo-liberal. Estava à espera que a ponte que liga Lisboa à outra margem tivesse mudado de nome para Ponte João Miranda. Em vez disso, a ponte continua 25 de Abril e, no governo, ganhou-se um D. É pouco progresso.
Portugal, em bom português, está na merda. Até aqui, a austeridade foi só para aquecer e, em 2012 é que as coisas vão começar a apertar. Desde 2000 que não há crescimento económico que o valha e não vejo razões para acreditar que isto venha a mudar nos próximos anos.
Há uns meses, um qualquer jornal (ou seria televisão) perguntava naquelas sondagens da tanga: acha que a crise vai durar dois anos? Oh meus amigos! Dois anos seria o cenário de sonho. Pode durar mais 20 ou mais 40 anos. Já lá vão 10 de estagnação, uma geração inteira sem emprego. Porque não outros 10 ou outros 20? A situação demográfica vai continuar a apertar, apertar.
No melhor dos casos, com reformas agora, em 2016 ou assim, começariamos a recolher alguns dos frutos e haveria finalmente, crescimento suficiente para voltarmos ao estado em que Portugal estava no ano dourado de 2007. No melhor dos casos, se o governo fizer as coisas certas.
Fará o governo as coisas certas? Provavelmente não. Estamos em democracia e, em democracia, temos o governo que merecemos. Os governos do PS, durante anos deram ao país exactamente aquilo que prometeram e que o país os elegia para fazer (como diz o Henrique Raposo, não foram vigaristas, simplesmente foram socialistas). Não perdeu as eleições porque se achava que desperdiçava dinheiro a mais, mas porque se acabou o dinheiro para desperdiçar. A auditoria dos cidadãos à dívida já foi feita: foi nas eleições de 2009. Ganhou a dívida.
A suposta "austeridade" deste PSD pode parecer que foi muita, mas, exceptuando algumas medidas extraordinárias (roubo das pensões dos bancos, venda da EDP), o défice continua nos 8%. Nem lá perto se chegou (faltam cortar uns 4% para se chegar a algo sustentável). Mesmo que se deixe de pagar a dívida, como é que se financiam o défice primário? Rezando?
Apesar de se ter ganho o tal partido do D, dito de direita, Portugal continua a ser dos países mais à esquerda da Europa em termos económicos (segundo a Heritage, somente a Grécia e a Itália têm economias menos liberais). Novamente, estamos em democracia: as elites de Portugal são de esquerda, os políticos dão-nos aquilo que os portugueses querem.
E à esquerda, a solução é sempre a mesma: os ricos que paguem. Acontece que agora os tais de ricos são os alemães. E eles não querem pagar funcionários públicos portugueses. A sério, não querem.
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