Parolos do Ingleses
Na União Europeia, os ingleses não são verdadeiramente europeus. Sempre que há algum novo tratado conjunto, os ingleses nunca querem participar.
Insistem naquelas noções velhas da soberania, e chagam ao ponto de querer ler os tratados antes de os assinar (que parolice!).
Um tratado deve ser assinado como um acto simbólico; o texto do tratado, as obrigações que os estados assumem, isso não é assunto que se deve discutir muito entre gente educada. Imagino que os ingleses individuais também leiam contractos antes de os assinar. Quando vão comprar casa, devem até ter aquela lógica de merceeiro de fazer a simulação e descobrir quanto é que vão ter de pagar.
Um contracto de compra de casa é um acto simbólico onde afirmarmos quanto gostamos do nosso banco.
Aqui, ao menos a extrema-esquerda nacionalista e alguma extrema-direita nacionalistas sempre foram coerentes. São contra a União Europeia e a favor da soberania dos estados nacionais.
O centro português é que, à segunda-feira, critica os ingleses e é favor dos tratados da UE, mas, à terça-feira, não quer cumprir nada do que assinou. O Pacto de Estabilidade e Crescimento não era para cumprir, os acordos com a Troika não são para cumprir, as propostas da Alemanha e da França que os ingleses rejeitaram também não seriam para cumprir. À quarta-feira, acha que a soberania nacional é um conceito ultrapassado que só os nacionalistas é que ainda pensam nisso, mas à Quinta-feira queixa-se que Portugal já não é suficientemente independente e põe vídeos do UK Indepence Party no facebook. À sexta-feira quase que lhe vêm lágrimas ao olhos quando fala no conceito da Europa, mas ao Sábado resmunga ao comer couve espanhola porque já não há "do que é nosso." Ao Domingo, descansa porque esta actividade cansa.
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