Na série isto já parece um blogue libertário:
Devem os médicos poder invocar sempre o direito de objecção de consciência? E se, numa determinada região, não existir um único médico que aceite realizar abortos? E se essa região for o país inteiro?
Noutras profissões, a questão não seria tão grave. Se há um cabeleireiro se só trata de homens, vai-se a outro. O mercado equilibra: onde há procura, aparecerá oferta e a recusa de um médico só fará aparecer outro.
No caso dos médicos, a Ordem proíbe isso. E se os médicos não querem fazer determinado procedimento, podem impedir toda a gente de o fazer. Já criaram esta escassez de médicos que assola o país e faz com que tenhamos da saúde mais cara do mundo.
Eu, por mim, continuo a defender o direito parcial do médico à objecção de consciência (deve sempre ser obrigado a dar informação; pelo menos enquanto existir Ordem dos Médicos), mas o problema seria certamente menos importante se o mercado fosse mais livre.
(Por acaso, há uma coisa que não sei: será que a Ordem dos Médicos pode impedir clínicas espanholas, com médicos espanhóis, de trabalhar em Portugal?)
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