Nos comentários ao meu post avaliação e burocracias, disse-se (duas vezes, até)
O Estado tem a obrigação de ser o mais objetivo possível nas avaliações que faz, mesmo sabendo que a objetividade total é impossível.
Infelizmente, isto é, perceber mal o meu post. Eu não penso nem argumento que objectividade total seja impossível. Antes, pelo contrário, é facílima. Por exemplo, os seguintes critérios são objectivos:
(1) senioridade [anos de serviço]
(2) contagem de formações [um ponto por licenciatura, dois por mestrado, três por doutoramento, mais 0.1 por cada "formação complementar"]
(3) assiduidade [percentagem de dias trabalhados]
Aqui está uma formula 100% objectiva [qualquer duas pessoas, ou máquinas, chegam sempre ao mesmo resultado] para avaliar um trabalhador:
pontos = (assiduidade-100)/100+4*(formações) + anos de serviço
Calculo os pontos para todos os trabalhadores, e dou “Muito Bom” aos melhore 20%, “Bom” os 20% seguintes, &c Parece ridículo, mas não anda muito longe de alguns sistemas de avaliação burocrática. Mesmo a proposta do ME contém elementos deste tipo.
A objectividade não é difícil. O que eu argumento é que a procura de objectividade leva, isso sim, a critérios pouco relevantes.
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(Se querem saber porque é que os serviços públicos quando fazem concursos escolhem quase sempre somente em função do preço e raramente em função da qualidade; é porque o preço é objectivo).
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O meu post era sobre o facto da objectividade levar, quase sempre, a critérios que não medem a contribuição do trabalhador para o objectivo comum. Pior do que isso, levar a sistemas que são fáceis de enganar, em que as acções dos participantes se tornam progressivamente mais viradas para ganhar “pontos” ao invés de fazer uma contribuição real para o objectivo comum.
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