Lembro-me de já há muito tempo, ler o Café Hayek elogiar um colega economista que partindo da esquerda, dizia que sites como o eBay (em que os utilizadores se controlam mutuamente), o tinham feito reavaliar a necessidade dum Estado intromisso para garantir qualidade.
O sucesso do google também representou uma vitória enorme das ideias de avaliação descentralizada (o google considera bom um site que tem muitos linques vindo de outros sites que têm muitos linques, utilizando um método estúpido) face a todas as tentativas de criar directórios centrais, feitos por especialistas, “fiáveis”. Todas estas directorias revelaram-se impossíveis de manter actualizadas, limitadas visto levarem ao sítio certo quando se seguiam os passos correctos (escolher tema geral; escolher sub-tema; escolher tópico…), mas uma procura mais livre era difícil senão impossível, e francamente impopulares (parece que estou a descrever uma burocracia estatal, não? A semelhança não é casual).
Tanto aqui como no post abaixo, estúpido é uma palavra técnica para um sistema que não toma em conta quem são os utilizadores mais do que estritamente necessário. Nesse sentido, é bom que a internete seja estúpida e ganhou a todas as alternativas de sistemas online não-estúpidos, como a AOL original, a Prodigy nos EUA ou o minitel em França (o governo francês, embora tivesse o primeiro sistema que ligava grande parte da população informàticamente, castrou-o ao recusar-se a abrir mão do controlo. O sistema não teve evolução e tornou-se obsoleto); Silicon Valley está coberto de cadáver de empresas que venderam versões mais “inteligentes” da internete. Neste mesmo sentido, seria bom termos um estado mais estúpido.
Arquitectura de software é política
2 responses so far ↓
1 Anonymous // Oct 11, 2005 at 19:44
Grande,
Henrique Raposo
2 Rabbit’s blog » Blog Archive » A Nete não tem nada a temer da ONU? // Nov 14, 2005 at 16:45
[...] o comentário de João Miranda A ONU devia era regular o minitel; e já agora este antigo post meu. Numa mais light, temos esta excelente paródia à cimeira da Tunísia e à ONU no geral). [...]
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