Escreve o Henrique Burnay no blogue da Atlântico:
“No recourse” quer dizer que quando um amerciano pede dinheiro emprestado para comprar uma casa e dá como garantia a casa, se a casa se desvalorizar (como se tem desvalorizado por efeito do mercado), se ele “mandar uma carta para o banco com a chaves da casa”, o empréstimo fica pago. […] Portanto, se o valor da casa for inferior ao da hipoteca, azar o do banco. Ou seja, se há uma revisão generazliada dos valores das casa, azar enorme o dos bancos.
Isto é mais ou menos verdade. Em muitos casos, também involve declaração de falência pessoal.
Em qualquer caso, isto estraga completamente o historial de crédito de uma pessoa. O historial de crédito de uma pessoa nos EUA é usado para avaliar toda uma série de serviços. Quem passa por uma falência ou uma situação como não pagar um crédito grande, dificilmente voltará a ter acesso a crédito (o mercado “subprime” era o das pessoas com mau historial de crédito), torna-se mais difícil até alugar uma casa, o seguro do carro sobe. É complicado.
Por isso, a maioria dos americanos que têm uma casa que vale menos do que o empréstimo continua a pagar o empréstimo.
3 responses so far ↓
1 Luís Lavoura // Mar 27, 2008 at 10:15
Este post contem uma contradição, ao reconhecer que o próprio crédito “subprime” (que designação tão curiosa! É mesmo à americana…) foi uma eliminação da consideração que antes era dada ao “credit record” de um indivíduo.
Nos bons velhos tempos a “credit history” de um indivíduo era de facto uma coisa importante, e não se concedia crédito a quem não tivesse uma boa história de pagamento das suas obrigações. O crédito “subprime” violou esses bons velhos costumes. Doravante, qualquer indivíduo tem o direito de esperar que, mais tarde ou mais cedo, a sua “credit history” venha a ser considerada irrelevante e que os bancos lhe concedam crédito mesmo quando ele já violou as condições da sua hipoteca.
2 Luís Lavoura // Mar 27, 2008 at 10:18
Nada tem de ilegal que um indivíduo, que contratualizou com o seu banco que a sua casa responde pelo seu crédito, envie ao banco as chaves da casa e deixe de pagar as dívidas. Esse indivíduo está desta forma apenas a cumprir uma cláusula do contrato que estabeleceu com o banco, e não deve poder ser penalizado por esse facto. Se o banco foi parvo e assumiu que as casas aumentam permanentemente de valor, é justo que o banco seja penalizado pela sua parvoíce. Os contratos são para se cumprir e, se um indivíduo tem o direito de dar a casa em troca do crédito que recebeu, pois bem, não deve ser penalizado por exercer esse seu direito.
3 luispedro // Mar 27, 2008 at 13:38
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Este post contem uma contradição, ao reconhecer que o próprio crédito “subprime” (que designação tão curiosa! É mesmo à americana…) foi uma eliminação da consideração que antes era dada ao “credit record” de um indivíduo.
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Não foi uma eliminação da consideração, deixou foi de ser uma consideração que excluía as pessoas de ter uma hipoteca. Um indivíduo na classe subprime sempre pagou juros mais altos do que um indivíduo prime.
Além disso, hoje o mercado subprime diminui muito.
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Claro que não é ilegal. O que não quer dizer que seja uma boa opção. Excepto no caso em que a pessoa não vai mesmo conseguir pagar (ou seja, está falida), é pouco provável que seja uma opção que valha a pena.
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