Cito a contribuição do Miguel Madeira para o debate (que é outra citação, mas foi o vento sueste que ma trouxe):
Há também uma grande diferença na forma como os dois regimes procuravam a legitimação: MUSSOLINI APELAVA A MOBILIZAÇÃO (…) SALAZAR APOSTAVA NA ABSTENÇÃO, NO OPOSTO À MOBILIZAÇÃO
Voltando à minha linha argumentativa, penso que no período inicial do Estado Novo houve uma série de mobilizações de massas, mas que, rapidamente, à medida que Salazar toma a si as rédeas únicas do poder, estas manifestações desaparecem. O Primeiro de Maio desaparece do calendário (os primeiros de maio eram uma grande celebração fascista), a celebração da Revolução perde o carácter de culto, os alemães da Juventude Hitlereana deixam de visitar, braços erguidos deixaram de ser vistos (mesmo Salazar tinha sido visto a deixar erguer o braço, mas só a meio do jogo, quando os fascistas dominavam o meio-campo e Salazar começava a perder posse de bola; Sol de pouca dura porque Salazar iria marcar dois golos de seguida ao mesmo tempo que os fascistas ficavam com uns penaltis por assinalar).
Dizer que “o Estado Novo inicial tinha vários elementos fascistas, mas Salazar não era um deles e foi ele que acabou por ganhar o braço de ferro” parece-me um modelo que explica bem a evolução da coisa (o afastamento dos elementos mais fascistas antecede até a guerra e não se explica por ela). O salazarismo não foi, afinal, só os primeiros anos do Estado Novo quando a luta de poder nos corredores ainda não estava bem definida.
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