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Não Chega

July 1st, 2008 · 1 Comment

Responde o Hugo Mendes às minhas críticas:

- Reconstruído o ranking a partir dos alunos no ano modal, Portugal passa de 29.º do conjunto de 32 países para 11.º (com o mesmo score da Austrália e da Espanha). Nenhum outro país ganha (ou perde) tantos lugares na passagem de um ranking para o outro.

De uma forma um bocadinho pomposa: os nossos alunos no ano modal estão à porta do top 10 mundial, quando comparados com os alunos dos outros países nas mesmas condições. Não são os melhores do mundo, mas, sim, estão entre os melhores.

Isto é uma melhoria, mas continua a ser uma comparação errada. Se anteriormente era entre os nossos melhores 50% e 100% do resto, agora é entre os nossos melhores 50% e x% do resto (em que x é o número de alunos no “ano modal”).

Estar no ano modal significa coisas diferentes em diferentes países porque diferentes países têm critérios (explícitos ou implícitos) para decidir se um aluno fica ou não no ano modal.

Portugal tem apenas 50% dos alunos no seu ano modal, o Reino Unido quase 90%. Não espanta que os nossos melhores 50% tenham uma melhor média do que os melhores 90% ingleses. Passamos à frente de imensos países com grandes percentagem de alunos no ano modal.

Se os melhores portugueses fossem tão bons como os melhores estrangeiros, então esperariamos que, no topo da escala, Portugal estivesse bem representado. Não está. Só encontrei dados do PISA 2003, mas Portugal tem pouquíssimos alunos com resultados muito bons ou excelentes! Apenas 5.4%, quando há países com 20% e vários com mais de 10%! (nível 5 ou 6 na página 75 do relatório acima)

Além disso, como o próprio Hugo Mendes notou, em Portugal, quem não está no ano modal, quase sempre está atrasado. Noutros países, há vezes em que está adiantado.

Também não espanta que a diferença entre o score modal e o score médio seja maior num país que tem uma das menores percentagens de alunos no ano modal!

Imaginemos que, no dia anterior ao exame, a ministra decretava que todos os alunos que estavam atrasados subiam um ano por passagem administrativa. A nossa média global ficava a mesma, o nosso score modal descia e diminui a diferença entre ambos. Havia menos desigualdade entre alunos?

Não estou a dizer que me espantaria de descobrir que Portugal é muito desigual. Somente, que não é isso que dizem estes dados.

Porque é que não olhamos para medidas estatísticas como a variância ou a diferença entre a média do quartil superior e inferior? Esta não sofrem da diferença entre diferentes significados para “aluno retido.”

Tags: educação

1 response so far ↓

  • 1 João Jesus Caetano // Jul 1, 2008 at 17:32

    O Luís tem razão quando afirma que os indicadores usados não servem para aferir da excelência dos estudantes portugueses, quando comparados com outros.

    Para que fique claro, e sobre literacia científica aferida em 2006, Portugal não consegue melhor do que 3% dos estudantes no nível 5 e uma percentagem resídual no nível 6. A Finlândia, por exemplo, tem 17% de estudantes no nível 5 e 4% no nível 6. Os EUA, 8% e 2%, respectivamente. A média da OCDE é 8% e 1%. Só consegui aceder a estes agora, através deste relatório.

    A frase sobre “o sistema português produzir estudantes ao nível dos melhores do mundo” é, portanto, incorreta, embora tenha sido escrita num contexto em que as problemáticas debatidas eram a dos efeitos da retenção e da validade do discurso sobre “facilitismo”. O Hugo Mendes escreveu um post em resposta a este onde clarifica a sua interpretação.

    Além disso, e para que fique igualmente claro, algumas das suas afirmações neste post são incorretas:

    - É falso que alguma vez se tenha defendido o que está escrito no primeiro parágrafo, por exemplo.

    - O impacto de Portugal ser um dos países com menor percentagem de alunos no ano modal já tinha sido debatido aqui, por exemplo.

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