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O Debate

August 20th, 2007 · 5 Comments

Eu também gostava que houvesse um debate sério sobre os trangénicos em Portugal. Infelizmente, a minha experiência é que discutir com alguns destes movimentos é como discutir biologia no Texas.

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Há riscos no uso de plantas mutantes sejam obtidas por métodos de engenharia genética ou não: há métodos tradicionais de gerar mutantes que já eram usados antes de Cristo, mas que hoje são feitos de forma dirigida e em larga escala com o objectivo de conseguir gerar o mutante sem ter de marcar o resultado como OGM. O resultado é o mesmo, independemente de como a planta foi obtida. O resultado é uma planta.

Hoje ninguém anda para aí a gritar que as maçãs são erradas e um atentado contra a Natureza. Mas não há maçãs selvagens como as que comemos. Fomos nós que as criámos.

As amêndoas selvagens são venenosas. As que comemos são mutantes que não produzem o gene certo.

O milho é um caso especialmente crasso de engenharia biológica primitiva. As plantas usadas em cultura diferem tanto do que se encontra selvagem que nem existe um consenso sobre qual das espécies selvagens é que foram cruzadas (com transferência de genes) para obter a planta actual.

*

Os riscos para a saúde de quem consome produtos geneticamente modificados são quase nulos. É muito menos perigoso do que outros aditivos alimentares regularmente autorizados sem grande alarido. Mesmo muito menos.

Se existe quem deseja comer comida kosher ou halal ou biológica ou sem-OGMs e existe quem queira fazer dinheiro a vendê-la, então ainda bem; que o façam (os tribunais estarão lá para processar casos de fraude: vender comida kosher contendo porco, ou OGMs). Agora não me obriguem a mim a comer o que o vosso guru/padre/rabi vos exige. Nem obriguem todos os agricultores a cumprir os vossos rituais.

(Sabiam que os produtos biológicos podem usar alguns pesticidas? Quais? Aqueles que se usavam antes do séc XX.)

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Os riscos reais são ecológicos (no sentido científico da palavra). As espécies podem escapar da cultura para o exterior. Isto tende a acontecer pouco porque as espécies cultivadas dão-se mal sem protecção humana, mas é possível. Sobretudo, pode escapar para outras culturas. Isto certamente já aconteceu várias vezes.

Há uma solução simples e eficaz para isto: sementes que geram plantas estéreis. Curiosamente, este tipo de plantas são normalmente apresentadas como o cúmulo do mal da biotecnologia.

Mas a pergunta fundamental não é sequer evitar que isso aconteça é estimar os custos de isso acontecer. Somente uma visão religiosa da Natureza justifica o medo apocalítico que se ouve nos “activistas.”

É como ter medo de, um dia, encontrar uma amendoeira doce na floresta.

Tags: Ambiente

5 responses so far ↓

  • 1 Bruno // Aug 21, 2007 at 16:35

    Isso já para não falar daquelas estirpes de trigo que eram obtidas em meaados do século XX expondo a planta a um material radioactivo de modo a originar mutações cegas, e depois rezar para que uma delas originasse um fenótipo útil. Ninguém sabia o que é que estava realmente a acontecer, mas houve milhões de pessoas no 3º mundo que foram salvas da fome à custa de estirpes criadas por esta “engenharia genética” à trolha. Provavelmente andamos a comê-las alegremente ainda hoje, juntamente com outras mais antigas e “naturais”.

  • 2 site admin // Aug 21, 2007 at 17:45

    Será que essas estirpes podem ser usadas em agricultura biológica?

  • 3 Osvaldo Lucas // Aug 22, 2007 at 21:10

    O saber não ocupa lugar!!
    Parecer conjunto do Conselho Nacional de Ambiente e Desenvolvimento Sustentável / Conselho Económico e Social sobre OGM (2000)
    http://www.cnads.pt/docs/ParecerOGM%20Dezemb2000.pdf

  • 4 Joel // Mar 2, 2008 at 19:07

    Os debates sérios, são sempre bons, para uns ficam esclarecidos, para outros podem mudar de opinião, pois….

  • 5 Juegos online casino. // May 16, 2008 at 15:38

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