Na série se gostasse de massacrar estatísticas até sair o resultado que eu gosto, ia para sociólogo de esquerda:
Anda para aí uma ideia que diz que os números de PISA (o teste internacional ao conhecimento/capacidades de alunos de 15 anos) mostram que os bons alunos portugueses estão ao nível dos melhores do mundo (a sério, afirma-se aqui).
Chega-se a esta conclusão (que seria de festejar se fosse verdade), da seguinte forma:
O nosso resultado global, é verdade, é fraco: 466 [o valor médio é ajustado para 500]
[...]
[No entanto,] os alunos que, com 15 anos, estão no ano de escolaridade ‘certo’ (ano modal) - que em Portugal é o 10.º ano - têm, afinal, um bom (para não me exceder nos adjectivos) resultado: 520.
Mas não se pode comparar a média dos nossos melhores alunos com a média global dos outros países! Não faz sentido! A média dos melhores dos outros países é, de certeza, maior do que 500.
Se os nossos 50% melhores fossem melhores do que os 50% melhores da Finlândia, então sim, tinhamos qualquer coisa.
(Não vou sequer comentar isto de nos andarmos a comparar a um grupo de 57 países que inclui países sub-desenvolvidos e acharmos que ser melhor do que a Túrquia é bom).
2 responses so far ↓
1 João Jesus Caetano // Jun 30, 2008 at 20:04
Talvez fosse melhor ler os posts em causa com mais atenção.
Se ainda assim lhe restarem dúvidas, terei todo o gosto em explicar-lhe o que significa a média de 500 pontos no PISA, ou o que significa ano modal, ou porque é que você mistura posts que falam sobre literacias diferentes.
Talvez assim consiga de uma vez perceber porque razão é que a literacia científica dos alunos que frequentam o ano modal, em Portugal, é a 11ª do mundo, à frente de países como o Reino Unido (15º), a Alemanha (17º) os EUA (23º) .
2 Miguel Madeira // Jul 1, 2008 at 12:19
http://pensamentodomeiodia.blogspot.com/2008/06/pisa2006-de-novo.html
De qualquer forma, a questão surgiu no contexto da discussão sobre se o sistema de ensino português é facilitista.
Ora, se fosse esse o caso, os alunos portugueses do 10º deveria saber menos que os alunos estrangeiros do 10º ano, o que não é o caso.
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