Diz Miguel Portas:
Claramente, a sua intenção não foi de ataque à propriedade do agricultor – “nada nos move contra ele” – mas de afirmar, através de um gesto espectacular, a defesa do “princípio da precaução”.
Engraçado que seja a esquerda a invocar o Burkeano princípio da precaução.
No entanto, embora aceitando o argumento, não me parece que seja suficientemente forte para proibir completamente toda a produção de produtos obtidos por manipulação genética (é o que se discute, de facto, genéticamente modificados são todos os tipos de cultura que se produz; anteriormente, eram usadas técnicas mais artesanais de se obter o mutante, mas o resultado era o mesmo [nem se sabe com 100% certeza qual é o antecessor selvagem do milho cultivado, tão diferente é, geneticamente, dos cereais selvagens]).
Isto porque no outro prato da balança estão os benefícios vários de culturas genéticamente modificadas. Desde o ridículo (melancia sem caroço), ao útil (tomates que aguentam mais tempo antes de apodrecer), ao económico (mais produção por hectáre), ao ambiental (menos necessidade de usar pesticidas), ao miracoloso (a criação arroz com vitaminas foi uma dádiva na china rural).
O princípio da precaução torna-se um argumento para se controlar a introdução de novas espécies. Aliás, como é feito em todos os países desenvolvidos do mundo.
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