Nos EUA, tal como em muitos países da Europa, muitos pais começaram a não vacinar os filhos (eu conheço pelo menos um nessa categoria). Infelizmente, os resultados começam também a aparecer:
From January 1 through April 25, 2008, CDC received a total of 64 reports of confirmed measles cases in nine states — the highest number for the same time period since 2001. In four of the states — Arizona, New York, Michigan, and Wisconsin — outbreaks (3 or more cases linked in time or place) are ongoing. Outbreaks may occur when measles cases are imported into the U.S. Ten of the recent case-patients (5 US residents and 5 visitors to the U.S.) acquired measles abroad, and the remaining cases are considered linked to the imported cases.
Of the 64 people infected by the measles virus, only 1 had documentation of prior vaccination.
9 responses so far ↓
1 Luís Lavoura // May 6, 2008 at 08:48
É o que acontece quando se faz como alguns liberais extremistas advogam, ou seja, se dá aos pais autoridade total sobre os filhos, retirando ao Estado qualquer autoridade em matéria de proteção das crianças.
Também já vi uma “liberal” a defender que não devia ser obrigatório usar cadeirinhas para as crianças nos automóveis, porque dá muito trabalho e constrangimento aos pais ter que lá pôr as crianças.
2 Luís Lavoura // May 6, 2008 at 10:38
É claro que os liberais de direita raramente se atrevem a levar as ideias que defendem às últimas consequências, preferindo aplicá-las a casos criteriosamente selecionados. Defendem po exemplo a liberdade de os pais escolherem a educação que querem dar aos filhos, em particular a liberdade de os pais proibirem os filhos de ter educação sexual na escola. Esquecem-se que a consequência lógica desta ideia é que os pais também devem poder proibir os filhos de aprender a ler e a escrever, como era costume fazer-se em Portugal. nomeadamente com as crianças do sexo feminino, há uns 100 anos atrás - foi por causa desta ideia que pessoas extemamente inteligentes, como a minha avó por exemplo, foram retiradas da escola pelos pais aos 7 anos de idade e ficaram privadas por toda a vida mesmo da educação mais rudimentar, condenando-as a elas e ao país.
Nas mentes obtusas dos liberais de direita portuguesas, os pais são sempre pais perfeitos que desejam o bem dos filhos, e que sabem perfeitamente o que é bom paa os filhos. Alguns pais sabem que é bom que as filhas não aprendam a ler, outros pais sabem que os filhos não precisam de ser vacinados contra a varíola, etc. São todos pais ultra-sapientes, todos eles pessoas honestas que desejam o melhor para os seus filhos, e que devem ter o direito de fazer com os seus filhos aquilo que muito bem entendem, uma vez que uma criança é como um móvel ou uma vassoura - é uma propriedade privada dos seus pais.
3 luispedro // May 7, 2008 at 01:48
1. Normalmente, as pessoas que não vacinam os filhos não são especialmente liberais de direita. Um dos pais que não vacina os filhos que eu conheço aqui até me disse hoje que era a favor de um estado introviso como princípio.
2. Além disso, a vacinação é também uma questão de saúde pública. Saúde pública a sério, no sentido que se A não vacina os filhos, então os filhos de B têm um risco acrescido de contaminação. As vacinas funcionam porque criam imunidade de grupo mesmo que a imunidade individual não seja total.
4 lobotomias // May 7, 2008 at 18:33
1- surpreendido…:Às
Parece-me dificil defender qualquer projecto de saude publica sem defender o que os americanos chamam uma medicina “socialista”…
2- por outro lado
a vacinação- qualquer acto médico mas a vacinação em particular, comporta riscos . lembro-me dos casos de regressão autistica aos 18 meses - 3 meses depois vacina, que apesar de não ter uma explicação causal muito plausivel parece ter dados epidemiológicos importantes. e há também duvidas em relação a doenças auto-imunes e outras doenças , por enquanto de etiologia mais ou menos mistica, como a esclerose multipla.
pensando individualmente no seu proprio filho as vantagens da não vacinação são em muitos casos superiores ao risco - pela imunidade de grupo que falas.
Parece-me então que neste blogue liberal se sugere que temos de permitir que o estado prejudique (ligeiramente)os nossos filhos, para defender um bem comum (a saude dos filhos de todos), isto não é um raciocinio um bocado pró socialista?
há vezes em que nos lembramos que estamos todos no mesmo barco e o melhor é cuidarmos uns dos outros através de uma figura que se chama estado. Saude e bom senso manda rapidamente o liberalismo às urtigas.
5 luispedro // May 7, 2008 at 19:07
A saúde pública, definida estritamente como o que afecta a saúde de todos (e não casos de saúde privada, ainda que afectem muita gente — como a obesidade); sempre me pareceram uma das poucas justificações para o uso da força.
Não há nada de socialista nisto.
***
Os casos de autismo são tanga. O suposto culpado (um aditivo nas vacinas) foi retirado do mercado há anos e os casos de autismo não diminuiram.
Nem estou convencido que exista uma mudança real e que o aumento dos casos diagnosticados não seja somente devido a mudanças no diagnóstico.
6 Miguel Madeira // May 7, 2008 at 22:30
“Normalmente, as pessoas que não vacinam os filhos não são especialmente liberais de direita. ”
Penso que o ponto do LL não era propriamente se os liberais de direita vacinavam ou não os filhos, mas sim se os liberais de direita defendiam o direito dos pais a não vacinar os filhos.
De qualquer forma, de vez em quando leio textos no site “liberal de direita” lewrockwell.com a dizer que determinadas vacinas causam autismo/cancro/etc.
7 lobotomias // May 8, 2008 at 00:11
A questão é que sem cuidados tendencialmente gratuitos e de proximidade (de saude e não só , tambem de habitação, trabalho, etc) torna-se muito dificil controlar riscos para a saúde publica (concordo com a tua ideia de saude publica, mas não se resume a riscos infecciosos).
Nem é preciso ir a Africa basta falar das consequnecias desastrosas que parece ter tido a exclusão da pop toxicodependente dos serviços de saude entre 85 e 95 nas nossas taxas de inf pelo hiv e de turberculose
Parece-me que há muito socialismo nisto (definição pelo estado de cuidados de saude e não só importantes a fornecer a todos e custeados por todos aqueles que descontam)
Em relação às regressões autisticas tardias (18 meses) penso que o caso é um pouco mais complicado que isso, («que tanga») até porque sendo um numero tão pequeno (mesmo muito pequeno dentro do grupo das crianças autistas- já de si pequeno) e um grpo tão dificil de diagnosticar (é dificil saber se já haviam ou não sinais antesdos 18) parece-me dificil que se construam estudos que permitam encontrar teorias crediveis ou mesmo excluir fantasias. Na duvida, uma hipotese auto-imune através da vacinação (independentemente dos excepientes) penso que ainda está sobre a mesa (não sei não li nada mas ainda ontem ouvi um pedopsiquiatra falar disso- em privado- claro)
8 luispedro // May 8, 2008 at 18:49
“”"Nem é preciso ir a Africa basta falar das consequnecias desastrosas que parece ter tido a exclusão da pop toxicodependente dos serviços de saude entre 85 e 95 nas nossas taxas de inf pelo hiv e de turberculose”"”
Não acabaste de dar um exemplo onde o nosso serviço socialista não resolve um problema de exclusão?
9 lobotomias // May 9, 2008 at 14:07
Resolveu (ou começou a resolver) em 95 com o toninho guterres.
De qualquer maneira o que eu disse foi “a questão é que sem cuidados tendencialmente gratuitos e de proximidade (de saude e não só , tambem de habitação, trabalho, etc) torna-se muito dificil controlar riscos para a saúde publica.” é nesse sentido que vem o exemplo como deves ter compreendido. Com um sistema baseado no lucro, e excluindo aqueles que não podem ou não querem pagar parece-me que vais excluir muitos com riscos para todos.
de qualquer maneira o sistema de saude em si não é socialista, visto que o estado detem pouco e não tem o objectivo de deter tudo (não só dai mas tambem vem dai a exclusão- a proliferação de clinicas de reabilitação com metodos pouco comprovados e custos enormes)
Leave a Comment